domingo, 22 de março de 2009


Hoje é o dia de reordenar.

A ordem das coisas físicas está intimamente relacionada à ordem de nosso universo imaterial.
Ordenando nossos armários, gavetas e estantes. Arrumando a casa, tirando a sujeira, nos livrando de coisas antigas em desuso, criamos espaços para coisas novas.
Espaços entulhados não dão passagem para que a energia vital circule. Essa energia é a geradora de nosso prazer, nossa satisfação com a vida. Sem esse fluxo a vida se torna pesada, escura, sem sabor agradável.
Existem momentos cruciais na caminhada, onde precisamos parar e reordenar nossos espaços externos para que essa ordem se reflita em nosso interior.
A vida nos oferece oportunidades diárias para realizarmos esse bem para nós mesmos. Não precisamos derrubar a casa e construir uma nova. Basta buscar ordem nas pequenas coisas. E se tornamos essa busca uma constante, em pouco tempo tudo estará funcionando melhor.
Todo dia é dia para mudanças. Sem essas mudanças a vida se torna enfadonha e pouco interessante.
No entanto, para promover mudanças precisamos estabelecer critérios.
A ordem não deve surgir de um movimento externo. O desejo de mudança e ordem deve partir de um desejo íntimo, independente de fatores sociais que cobrem esse ordenamento.
A ação deve ser espontânea e paulatina. Movimentos bruscos ou forçados não geram estabilidade.
O ordenamento eficiente é aquele que é promovido sem interferência de terceiro, afinal a vida é sua e a responsabilidade em por tudo em ordem é sua também.
Esse ponto parece nos distanciar da essência da vida humana que é a convivência com os pares. Mas a verdade é bem outra. Nascemos, crescemos e morremos sóis. A ilusão de não estarmos sóis é o mais delicioso dos delírios humanos. Somos dois em um só quando no ventre materno, talvez por isso que muito teóricos acreditem que passamos a vida toda buscando a segurança, o calor e acolhimento perdidos no nascimento. Fora do ventre somos seres únicos e qualquer junção é imaginária. Por isso toda mudança e ordenamento devem partir de um estado consciente de solidão.
Ordenar a vida é essencial para o bom viver, para convivência saudável e o possível encontro. Afim de que possamos viver as doces ilusões, o delírio das paixões e a deliciosa farsa do amor humano.
Como para tudo há um primeiro passo. Acredito que para a ordem o primeiro é a solidão. Absoluta em nós mesmos. Não falo aqui de isolamento, não proponho nenhum comportamento autista ou esquizóide. Sim a sutil consciência da solidão. Tê-la como parceira e não se deixar açoitar pelas formas agressivas que às vezes ela nos revela. Aprender a ser só para não ser só. Confuso? Nem tanto.
Pode começar fazendo uma lista de amigos e dar significado a cada um deles na sua vida, pensar se são prescindíveis a sua existência ou não.
Quando conseguir prescindir de todos, perceba onde está o seu prazer. Que coisas você faz na vida que te deixa feliz, preenchido, pleno. Busque fazer isso com mais freqüência. Especialmente quando não depender de mais ninguém para obter essa satisfação em viver. Daí, olhe para tudo o que você tem construído ao longo de sua vida e livre-se de tudo que pesar, que incomodar, que apertar, que está gasto. E isso vale para coisas e pessoas também. Loucura? Talvez. Sana loucura em buscar de uma vida prazerosa. O tempo é esse. O momento é agora. Não deixe pra depois. Depois é um mistério que só se desfaz com o agora. E o agora já é presente. Esse é o melhor tempo para ser feliz. Vem comigo, me dá a mão, vamos juntos.

Evandro Viana
Professor de Psicologia e eterno aprendiz da vida.